Por Dr. Diego Gorgulho
A manutenção da integridade da Rede de Frio – processo de armazenamento, conservação, distribuição, transporte e manuseio de produtos farmacêuticos refrigerados utilizados no setor privado, com o objetivo final de assegurar as condições adequadas de refrigeração, desde o laboratório produtor até que os produtos farmacêuticos sejam administrados e mantenham suas características farmacocinéticas ou farmacodinâmicas – é um desafio que demanda a completa integração entre os diversos níveis, exigindo compromisso e responsabilidade dos profissionais de saúde (farmacêuticos, enfermeiros e médicos).
As falhas no cumprimento das recomendações para a conservação dos produtos farmacêuticos nos estabelecimentos de saúde têm sido mais freqüentes do que realmente acredita-se, não só em países em desenvolvimento, mas também nos desenvolvidos. Alguns estudos, p. ex., que pesquisaram conhecimentos e práticas adotadas em salas de vacinação, podem ilustrar este problema, evidenciando desconhecimento dos profissionais sobre intervalos de temperatura adequados para a conservação, inexistência de termômetros ou monitoramento diário de temperaturas, detecção de exposição freqüente dos produtos a extremos de temperatura (<0ºC e >10ºC) durante o transporte e o armazenamento, organização inadequada dos refrigeradores e não exclusividade dos mesmos para estocagem.
Estudos anteriores realizados no Brasil descrevem falhas no cumprimento das recomendações para a conservação, necessidade de supervisão permanente e adequação dos recursos humanos e equipamentos. Também há relatos de avaliações de amostras de vacinas coletadas em estabelecimentos de saúde do setor público com comprometimento na potência.
O PNI (Programa Nacional de Imunizações) brasileiro é responsável pela “normatização” dos procedimentos a serem adotados na Rede de Frio, consoantes com orientações da OPAS e OMS. Manuais técnicos publicados orientam as atividades para o gerenciamento de estoque, distribuição, manuseio de produtos farmacêuticos refrigerados e manutenção de equipamentos e outros materiais.
Nos próximos capítulos auxiliaremos o desenvolvimento de controles e formulários para otimizar sua adequação ao modelo de clínica requisitado pela Rede de Frio.
Referência: ARANDA, C.M.S.S.; MORAES, J.C. Vaccine storage cold chain in public health units of the City of São Paulo: knowledge and practice. Revista Brasileira de Epidemiologia. 2006.