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2012-01-18 Estratégia “cocoon” contra a coqueluche

Protege bebê antes que ele complete esquema vacinal

Por Dr. Paulo Aligieri

Durante os comentários sobre o triste retorno da coqueluche a São Paulo e outras cidades (1) durante o evento 13ª Jornada Nacional de Imunizações e 3ª Jornada Paulista de Imunizações, uma das expressões mais repetidas foi “estratégia cocoon”. Esta última palavra pertence à língua inglesa e significa o substantivo casulo ou o verbo encapsular. É uma imagem que sintetiza a forma de proteger o recém-nascido e o lactente com menos de 6 meses contra pertussis, através da vacinação, com emprego da tríplice bacteriana do jovem e adulto, administrada aos pais, avós e outros cuidadores do bebê. De fato, ele precisa desta forma de escudo anti-infeccioso porque a geração própria de anticorpos protetores exige aplicação de três doses da vacina e, portanto, somente se completa após 6 meses de idade. 
Até os anos 40, antes da existência das vacinas, eram notificados cerca de 200.000 casos de coqueluche por ano nos Estados Unidos. A incidência caiu muito após a introdução da vacina tríplice, mas nos últimos anos registra-se um progressivo aumento. Quase dois terços deste total ocorreram em jovens e adultos. Quase um quinto da casuística ocorre em lactentes com menos de 6 meses que ainda não tiveram tempo para receber as três doses necessárias para desencadear proteção. Neste grupo, os sintomas são mais intensos com risco de morte.
Há uma notória dificuldade para confirmar o diagnóstico desta infecção. Adolescentes e adultos servem como reservatório da doença porque a imunidade decresce cerca de 5 a 10 anos após a aplicação do esquema completo de imunização ou após a doença. É provável que o aumento na incidência seja devido à ampliação do uso da técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR) que veio a melhorar muito a propedêutica da infecção (1, 2). Classicamente, a cultura era considerada o padrão-ouro do diagnóstico, mas o bacilo é muito exigente e impõe um desafio persistente ao esclarecimento do problema enquanto a PCR é rápida, sensível e específica (2).
Nos adolescentes com coqueluche, a tosse pode parecer banal, sem o aspecto paroxístico peculiar encontrado, no passado, entre as crianças.
Uma conquista no combate à enganosa doença foi o desenvolvimento de vacinas acelulares muito eficazes e seguras que permitem a imunização de crianças mais velhas e adultos. Vacinas tríplices com componente acelular e teores reduzidos do componente diftérico estão licenciadas em diversos países. Os efeitos adversos são mínimos e geralmente constam de manifestações locais ou cefaléia de duração limitada e resolução espontânea. Podem ser aplicadas na mãe lactante, sem necessidade de respeitar qualquer intervalo após a administração da vacina dupla (tétano e difteria), de uso freqüente em grávidas (3).

Fontes:
1.                  Prefeitura do Município de São Paulo. Secretaria Municipal de Saúde- coordenação de Vigilância em Saúde. Grupo Técnico de Doenças de Respiratórias e Imunopreveníveis – Subgerência de Doenças e Agravos Transmissíveis Agudos – Centro de controle de Doenças – Covisa. Alerta epidemiológico: coqueluche. Dados de janeiro a 17/08/2011.
2.                   Baptista PN, Magalhães V, Rodrigues LC et al. (2005) Source of infection in household transmission of culture-confirmed pertussis in Brazil. The Pediatric Infectious Disease Journal 24, 1027-28. 
3.                 Anônimo, USA. Centers for Disease Prevention and Control; FDA Approval of Expanded Age Indication for a Tetanus Toxoid, Reduced Diphtheria Toxoid and Acellular Pertussis Vaccine; WWRW 2011;60(37):1.279-80. Disponível em http://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/mm6037a3.htm?s_cid=mm6037a3_w. Acesso em 23/09/2011.