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Aglomerações elevam taxas de portadores da bactéria
Por Dr. Paulo Aligieri
O vírus de Epstein Barr encontra-se em grandes concentrações nas células epiteliais da orofaringe e nasofaringe transmitindo-se facilmente na saliva dos indivíduos infectados, o que justifica o apelido da mononucleose como a “doença do beijo” (1), mas a infecção meningocócica também pode se propagar mais facilmente quando as pessoas se beijam, particularmente em situações de aglomerações. As festas com muitos beijos entre os jovens têm sido apontadas como um dos fatores que favoreceram alguns surtos ocorridos na Bahia.
Esta correlação foi citada pela Dra. Monica Levi na palestra “Doença meningocócica: Critérios para vacinação do viajante” apresentada no evento 13ª Jornada Nacional de Imunizações e 3ª Jornada Paulista de Imunizações. Dra Monica é diretora da SBIm - regional São Paulo e médica responsável pelo setor de Medicina dos Viajantes da CEDIPI. Segundo a especialista, a doença meningocócica se caracteriza por intenso e imprevisível dinamismo epidemiológico: os sorogrupos causadores de doença meningocócica estão em constante mudança; sorogrupos raros em determinada região podem emergir e em pouco tempo virem a causar grandes surtos ou até mesmo se tornarem endêmicos. Um fato básico é a presença de indivíduos portadores sãos que não apresentam a doença, porém transmitem a indivíduos não colonizados susceptíveis. Por isso, os viajantes são alvo de preocupação com a saúde individual, mas também coletiva por poderem potencialmente disseminar o meningococo.
Dra. Monica citou trabalhos em que se demonstrou que as situações de aglomeração, como ocorre com a enorme peregrinação religiosa denominada Hajj, aumentam as taxas de portadores da bactéria na orofaringe. Os surtos podem ser causados por diferentes sorotipos. Como exemplo dessas variações epidemiológicas, mostrou que no Estado de SP, na última década, houve grande diminuição da participação do sorogrupo B, um enorme aumento do sorogrupo C, sendo este hoje o sorogrupo mais prevalente no Brasil, e uma crescente participação dos sorogrupos Y e W-135 que hoje somados são responsáveis por 8% dos casos no Estado de São Paulo.
Outros países da América Latina também têm apresentado mudanças recentes nos sorogrupos prevalentes. Na Argentina, por exemplo, houve aumento recente na incidência dos sorotipos W-135 e Y, sendo que juntos aumentaram de casos dispersos para mais de 20% de todos os casos isolados. Na Colômbia houve aumento do sorogrupo Y que, curiosamente, não ocorreu em outros países da América Latina.
Várias regiões do planeta sofreram mudanças epidemiológicas e isso ressalta a importância do Médico do Viajante conhecer a epidemiologia dos locais a serem visitados para dar uma orientação eficiente ao seu viajante.
Fontes:
1) Rosenthal KS. Human herpesviruses. In Murray, PR et al. Medical Microbiology - 2nd edition. Mosby-Year Book. London, 1994, pg 571-593.
2) Levi, M. Palestra citada no texto.
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