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Calamidades chegam sem dar aviso e desorganizam serviços
Por Dr. Paulo Aligieri
Não só os serviços de saúde são afetados nas calamidades naturais, mas nas questões relacionadas à saúde, os prejuízos para a vida e para o bem estar das pessoas podem ser irreparáveis. A forma de minimizar danos é planejar e manter estoques estratégicos de diversos suprimentos indispensáveis, por exemplo, as vacinas e soros.
A recomendação acima fez parte da palestra “Vacinação em situações de catástrofes e guerras” proferida pelo Prof. Edmilson R. Migowski Carvalho, no evento 13ª Jornada Nacional de Imunizações e 3ª Jornada Paulista de Imunizações que ocorreu em São Paulo, no período de 26 a 29 de outubro de 2011. Ele é pediatra e infectologista, autor de livros e artigos sobre imunizações.
No tocante às atitudes das pessoas no período de normalidade, o especialista destacou que certos profissionais como bombeiros e militares, por exemplo, devem estar particularmente atentos à sua situação vacinal. Ao atuar junto à população ou mesmo junto aos destroços e outros materiais resultantes das enchentes ou outras situações catastróficas, estes profissionais enfrentam grande risco de adoecer.
Para doenças de período de incubação curto, é interessante que verifiquem níveis sanguíneos de anticorpos, ressaltou o especialista. Comentou também que a Norma regulamentadora NR32 garante ao profissional o direito às imunizações indicadas para sua proteção.
Quanto às diversas vacinas disponíveis no Brasil, Prof. Migowski recordou a importância daquela contra a hepatite A pela sua elevada e rápida capacidade imunogênica, sendo eficaz quando aplicada até duas semanas após o contágio. Embora os tratados e artigos ainda apontem a eficácia da imunoglobulina padrão na proteção após o contágio, na prática, este é um produto cada vez menos disponível e a vacina oferece proteção de mesma magnitude.
Quanto aos soros, Prof. Edmilson explicou que os desastres podem remover de seu habitat os animais peçonhentos, daí a enorme importância dos soros específicos ou polivalentes. Um item curioso é a menor utilidade de certas vacinas na população vitimada. Para a proteção contra febre tifóide, por exemplo, as vacinas existentes exigem diversos dias para geração de anticorpos. Poderão dar a falsa impressão de proteção e levar ao desprezo de outras medidas preventivas.
Fonte:
Carvalho, ERM. Palestra mencionada no texto. |