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2011-12-19 Coqueluche renovada é perigo para lactentes

Pais devem receber uma dose da vacina tríplice do adulto  

Por Dr. Paulo Aligieri

Os casos de coqueluche que surgiram em São Paulo e outras capitais não causam muita surpresa aos profissionais que lidam com vacinas porque isto já vem acontecendo no exterior. As características atuais da coqueluche pouco diferem daquelas que têm sido documentadas em diversos países do mundo (2).
No município de São Paulo, a distribuição por faixa etária mostra que 83,5% (81/97) dos casos confirmados foram em menores de um ano de idade, concordando com alguns outros países (2). Apesar da cobertura vacinal da tetravalente (difteria, tétano, pertussis e Hib), nesse grupo ser de 94,04 % no Brasil, a concentração dos casos nessa faixa etária deve-se a ocorrência principalmente nos menores de seis meses (69/81) que apresentam esquema vacinal ausente ou incompleto (2).
Hoje a coqueluche acomete com mais freqüência adolescentes e adultos devido à perda lenta da imunidade adquirida na infância graças à vacina. Nos adultos e jovens, apesar da história de tosse prolongada e de sintomas sugestivos de coqueluche, esse diagnóstico é pouco lembrado. Um fato muito triste é que adolescentes e adultos são a principal fonte de transmissão da coqueluche para bebês (3),. Crianças menores de 6 meses (portanto ainda não completaram as três doses da vacina) quando adquirem coqueluche, geralmente tem a forma grave da doença, com necessidade de tratamento hospitalar e maior risco de óbito (4).   Este quadro nos faz lembrar da vacina tríplice acelular para adolescente e adulto (dTpa ou Tdap) que, quase sempre, deve ser aplicada aos pais como atualização do seu calendário.  A dTpa contém antígenos da B. pertussis que desencadeiam proteção contra a coqueluche além dos componentes tetânico e diftérico, este em concentração reduzida(3). As vacinas atualmente disponíveis para aplicação em adultos são eficazes, diminuindo a incidência da coqueluche em adolescentes e adultos.
Foi observado que a vacina contra coqueluche diminui a transmissibilidade das crianças vacinadas que adoecem. Apoiado nessa observação pode-se esperar que, sendo o adolescente e o adulto a principal fonte de transmissão da coqueluche, o uso da vacina nesta faixa etária, diminua a incidência da doença não só entre este grupos citados, mas também entre as crianças e, principalmente, os lactentes que ainda não completaram seu esquema vacinal.
O Comitê Assessor de Imunizações dos Estados Unidos (ACIP) recomendou o uso da vacina tríplice contendo antígeno da coqueluche de rotina para jovens e adultos em substituição à vacina dupla citada (4).              
Para a prevenção de tétano, difteria e coqueluche, o Comitê recomenda que adultos e adolescentes recebam uma dose de reforço da vacina tríplice. Adolescentes com idades entre 11 e 18 anos e que já receberam a série completa da vacina tríplice devem receber dose única de dTpa ao invés da dupla tétano-difteria e a melhor ocasião é uma visita de caráter preventivo por ocasião dos 11-12 anos. Para adultos com idades entre 19 e 64 anos e que não receberam qualquer dose de dTpa, uma das doses decenais de dupla deve ser substituída pela dTpa. Da mesma forma, já há pesquisas mostrando que pessoas com idade igual ou superior a 65 anos também podem receber dose única da dTpa se não a receberam anteriormente. Esta opção é muito importante, pois se pode prever que entrarão em contato com crianças de poucos meses e que não tem vacinação completa contra a coqueluche.        

Fontes:

1.Crowcroft NS, Britto J. (2002) Whooping cough a continuing problem. Pertussis has re-emerged in countries with high vaccination coverage and low mortality. British    Medical Journal 324, 1537-38.
2.Prefeitura do Município de São Paulo. Secretaria Municipal de Saúde- coordenação de Vigilância em Saúde. Grupo Técnico de Doenças de Respiratórias e Imunopreveníveis – Subgerência de Doenças e Agravos Trnsmissíveis Agudos – Centro de controle de Doenças – Covisa. Alerta epidemiológico: coqueluche. Dados de janeiro a 17/08/2011.
3.Baptista PN, Magalhães V, Rodrigues LC et al. (2005) Source of infection in household transmission of culture-confirmed pertussis in Brazil. The Pediatric Infectious Disease Journal 24, 1027-28.  
4.Anônimo, USA. Centers for Disease Prevention and Control; FDA Approval of Expanded Age Indication for a Tetanus Toxoid, Reduced Diphtheria Toxoid and Acellular Pertussis Vaccine; WWRW 2011;60(37):1.279-80. Disponível  em http://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/mm6037a3.htm?s_cid=mm6037a3_w. Acesso em 23/09/2011.