Tecnocold

2011-12-19 Cuidar da família para fortalecer o indivíduo

Feliz escolha da SBIm para o lema das jornadas

Por Dr. Paulo Aligieri

Varia o conceito de família. Uma forma bem aceita a define como unidade básica da sociedade formada por indivíduos com ancestrais em comum ou ligados por laços afetivos. Outra definição lembra que a familia é uma forma de organização ou disposição de um número de seres humanos que se inter-relacionam de maneira específica e recorrente.
A importância da família para a proteção de cada um dos seus componentes explica o lema da 13ª Jornada Nacional de Imunizações e 3ª Jornada Paulista de Imunizações realizadas pela Associação Brasileira de Imunizações – SBIm e sua regional São Paulo, que ocorreram em São Paulo, no período de 26 a 29 de outubro deste ano: “Imunizando a família: estratégias para uma proteção mais ampla”.
Hoje considerada clássica, uma das melhores experiências sobre as interações relacionadas aos processos infecciosos no contexto familiar ocorreu no período em que se fez vacinação compulsória das crianças no Japão contra a gripe. Naquele período, houve expressiva redução da morbidade e mortalidade por influenza nos idosos (1). Também é bem conhecida a inegável redução na incidência de infecções pelo meningococo em faixas etárias que não foram contempladas pela vacina conjugada contra a bactéria (2).
Haverá diversas situações em que o amparo de determinadas pessoas somente será possível com atitudes que envolvam seus familiares. Esta correlação se refere não só aos imunodeprimidos como aos recém-nascidos. A proteção contra o vírus sincicial respiratório serve de parâmetro. Embora se disponha de algum amparo através de anticorpos monoclonais (palivizumabe), ainda se espera que novos recursos imunizantes para os familiares ampliem o escudo defensivo contra aquele malsinado vírus.
Ainda existem situações onde as vacinas não atendem às necessidades de proteção imune. Exemplo recente é a conduta cada vez mais disseminada (e justificada) de se pesquisar a presença de estreptococo no canal de parto antes do nascimento e, quando indicado, administrar antibióticos para eliminar este agente das grávidas e assim evitar infecções graves nos recém-nascidos (3).           

Fontes:
1)   Charu V et al. Influenza-related mortality trends in Japanese and american seniors: evidence for the indirect mortality benefits of vaccinating schoolchildren. PLoS One 2011;6(11):e26.282
2)   Pletz MW. Pneumococcal vaccine: protection of adults and reduction of antibiotic resistence by vaccination of children with a conjugated vaccine. Med Monatsschr Pharm 2011;34:201-5.
3)   Azam M et al. Is neonatal group B streptococcal infection preventable? Ir Med J 2011;104:149-51.