Mecanismo causal complexo é a base do desastre com uma vacina
Por Dr. Paulo Aligieri
Em sua atividade habitual em serviços de urgência, pediatras e outros profissionais da saúde que atendem crianças estão vendo, na prática, um aumento nos casos de bronquiolite. A observação clínica é perfeitamente coerente com o achado da rede sentinela que, em todo o Brasil, monitora a etiologia das infecções respiratórias, ou seja, um aumento no percentual de casos de doenças causadas pelo vírus sincicial respiratório(1) . Ele responde por mais da metade dos agentes identificados neste ano. O palivizumabe ajuda a prevenir a incidência e reduz a gravidade das infecções por este agente em crianças de risco. Palivizumabe é um anticorpo monoclonal humanizado cuja aplicação parenteral deve ser repetida mensalmente. Ainda não existe uma vacina contra este agente viral. Os anticorpos são uma forma de defesa pronta, não estimulam a imunidade do próprio indivíduo contra a doença. Nos anos 60, uma candidata a vacina produzida por meio da inativação do vírus sincicial respiratório com formalina desencadeou nos bebês que a receberam uma doença ainda mais grave que a forma natural, incluindo dois óbitos(2). Mais recentemente, cientistas vêm testando em camundongos uma vacina constituída por virossomas reconstituídos a partir do invólucro do vírus sincicial contendo um adjuvante lipopeptídico. Os testes laboratoriais mostraram um perfil imunológico muito compatível com aquele desenvolvido pela infecção natural. Considerando, porém que a o mecanismo etiopatogênico da bronquiolite infantil aguda é muito complexo e ainda pouco conhecido, não se esperam testes clínicos, senão a longo prazo(3).
1) Brasil. Governo do Estado de São Paulo. Secretaria de Estado da Saúde. Coordenadoria de Controle de Doenças. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”; Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória. Informe Técnico. Situação Epidemiológica da Influenza Pandêmica (H1N1) 2009 e Vigilância Sentinela da Influenza, Estado de São Paulo Brasil; Atualização: 17/6/2011. Disponível em
http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/resp/pdf/IF11_INFLUENZA_1706.pdf
Acesso em 24/06/2011.
2) Blanco JC et al. New insights for development of a safe and protective RSV vaccine. Hum Vaccin 2010; 6 (6): 482-92.
